Saúde mental de adultos

Vamos falar sobre o luto

Aprender a viver com aquilo que já não é como antes

Conteúdo preparado por Javiera Mansilla

Existem perdas que dividem a nossa vida em um antes e um depois.

Quando pensamos em luto, costumamos associá-lo à morte de alguém querido. Mas também podemos vivê-lo depois de uma separação, uma mudança, uma migração, a perda de um emprego, uma doença ou o fim de uma etapa que tinha muito significado para nós.

O luto aparece quando algo importante muda e precisamos nos adaptar a uma realidade que não escolhemos.

E isso pode levar tempo.

Não existe uma forma correta de viver o luto

Às vezes choramos. Em outros momentos sentimos raiva, culpa, alívio, vazio ou simplesmente nada.

Podemos nos sentir relativamente bem durante alguns dias e depois ser profundamente afetados por algo pequeno: uma música, uma fotografia, um lugar ou uma data.

Isso não significa que estamos regredindo.

O luto não é linear e não segue um calendário.

Também não precisamos sentir de determinada maneira para demonstrar que aquilo que perdemos era importante.

Seguir em frente não significa deixar para trás

Uma das ideias que mais pode doer durante o luto é pensar que precisamos “superar”.

Mas talvez viver depois de uma perda não consista em deixar de sentir saudade ou em voltar a ser exatamente quem éramos antes.

Consiste em aprender a criar espaço para o que aconteceu dentro de uma vida que continua.

Podemos lembrar e seguir em frente.

Podemos sentir tristeza e também voltar a desfrutar da vida.

Podemos sentir falta de uma vida anterior e, pouco a pouco, começar a construir algo novo.

Não precisamos escolher entre honrar o que perdemos e nos permitir viver aquilo que ainda temos.

Quando também perdemos uma parte de nós

Algumas perdas mudam mais do que as nossas circunstâncias. Elas mudam a nossa identidade.

Isso pode acontecer ao migrar, terminar um relacionamento, mudar de profissão, tornar-se pai ou mãe ou atravessar uma doença.

De repente, podemos nos perguntar:

Quem sou eu agora?

Que parte da minha vida quero conservar?

Como quero construir o que vem a seguir?

Essas perguntas não precisam ser respondidas imediatamente.

Às vezes fazem parte do próprio processo de adaptação.

Quando a terapia pode ajudar?

A terapia não busca apressar o luto nem fazer desaparecer aquilo que sentimos.

Pode oferecer um espaço para compreender emoções difíceis, processar mudanças importantes e encontrar uma forma de integrar o que aconteceu enquanto reconstruímos a nossa vida.

Você não precisa chegar sabendo exatamente do que precisa.

Podemos começar de onde você está.

O luto também fala sobre aquilo que importou

Parte da recuperação pode estar em deixar de perguntar “quando vou superar isso?” e começar a perguntar: “Como quero viver com isso que agora faz parte da minha história?”

Algumas perdas não desaparecem, mas a nossa relação com elas pode mudar, permitindo que continuemos avançando e crescendo na vida.

Este conteúdo educativo não substitui uma avaliação psicológica ou médica individual. Se você tiver preocupações com sua saúde mental ou física, procure orientação de um profissional devidamente qualificado.