Existem momentos em que a nossa vida muda de uma forma que nos obriga a reorganizar muito mais do que as rotinas.
Uma separação, uma migração, começar ou terminar um curso, mudar de trabalho, tornar-se pai ou mãe, aposentar-se ou atravessar uma perda podem transformar a maneira como nos relacionamos conosco, com outras pessoas e com o futuro.
Mesmo quando a mudança é esperada ou desejada, ela pode gerar sofrimento.
Adaptar-se não significa simplesmente acostumar-se a uma nova situação.
Também pode significar reconstruir nossos referenciais quando aquilo que conhecíamos deixa de funcionar da mesma maneira.
O que acontece psicologicamente durante uma transição?
Grande parte da nossa sensação de estabilidade vem daquilo que é previsível: nossas rotinas, relacionamentos, responsabilidades e a imagem que temos de nós mesmos.
Quando uma transição altera esses elementos, pode surgir uma sensação de desorientação.
Podemos nos perguntar:
“Quem sou eu agora?”
“O que eu quero?”
“Como me encaixo nesta nova realidade?”
Às vezes, a confusão é uma resposta compreensível diante de uma vida que ainda estamos aprendendo a habitar.
Também podemos viver um luto pelo que muda
Uma transição não envolve apenas incorporar algo novo. Também pode significar deixar para trás rotinas, vínculos, papéis, expectativas ou uma determinada versão de nós mesmos.
Por isso, é possível sentir alegria e tristeza ao mesmo tempo.
Você pode estar animado com a nova vida e sentir saudade da anterior. Pode saber que uma decisão foi necessária e, ainda assim, sentir dor.
Emoções contraditórias podem coexistir sem significar que você tomou a decisão errada.
Adaptar-se não significa voltar a sentir-se como antes
Durante uma transição, é comum esperar recuperar rapidamente a sensação de normalidade, mas talvez não se trate de voltar a ser quem você era.
Quando as circunstâncias mudam, também podemos precisar reorganizar prioridades, expectativas e formas de nos compreender.
A adaptação acontece quando, pouco a pouco, construímos uma nova sensação de continuidade:
“Minha vida mudou, mas ainda consigo me reconhecer dentro dela.”
Quando a incerteza se torna difícil
A mudança pode ativar ansiedade, necessidade de controle ou medo de errar.
Podemos antecipar constantemente o que pode dar errado, revisar nossas decisões repetidamente ou evitar avançar até nos sentirmos completamente seguros.
Durante uma transição, porém, a certeza absoluta provavelmente não estará disponível.
Às vezes, a segurança é construída depois de dar pequenos passos, experimentar e descobrir que somos capazes de lidar com o que acontece.
Quando pode ser útil buscar apoio?
Pode ser recomendável conversar com um psicólogo se:
- a ansiedade ou a tristeza persistirem
- você sentir que perdeu seu senso de identidade ou direção
- tiver dificuldade para tomar decisões ou confiar nelas
- estiver evitando situações importantes por medo
- seus relacionamentos estiverem sendo afetados
- sentir que não consegue se adaptar
- a mudança envolver uma perda difícil de processar
A terapia pode oferecer um espaço para compreender o que está acontecendo, processar aquilo que você deixou para trás e explorar como deseja construir esta nova etapa.
Você não precisa ter tudo resolvido
Às vezes queremos encontrar rapidamente uma nova rotina, uma nova identidade ou uma nova direção para deixar para trás o desconforto de não saber. Mas algumas transições precisam de tempo.
Você pode estar entre duas etapas sem estar perdido. Estar em transição significa que está reorganizando a vida em torno de uma realidade que mudou.
Talvez o objetivo não seja voltar a ser quem você era, mas construir continuidade entre quem você foi, quem é agora e quem está começando a se tornar.
Este conteúdo educativo não substitui uma avaliação psicológica ou médica individual. Se você tiver preocupações com sua saúde mental ou física, procure orientação de um profissional devidamente qualificado.
