Saúde mental de adultos

Vamos falar sobre autoestima

Como você se relaciona consigo quando as coisas não saem como esperava?

Conteúdo preparado por Javiera Mansilla

Quando falamos de autoestima, costumamos pensar em segurança, confiança ou em “sentir-se bem consigo mesmo”.

Mas a autoestima é mais complexa.

Ela tem a ver com a valorização que fazemos de nós mesmos e com a forma como interpretamos nossos erros, limites, conquistas e dificuldades, e principalmente com o que acontece com essa valorização quando as coisas não saem como esperávamos.

Quando o nosso valor depende do que fazemos

É fácil construir uma autoestima condicionada:

“Sou valioso quando tenho sucesso.”

“Sou suficiente quando os outros me escolhem.”

“Se eu errar, significa que não sou capaz.”

Enquanto tudo funciona, podemos nos sentir bem. Mas, quando aparece um fracasso, uma crítica, uma rejeição ou uma comparação, a forma como nos vemos pode mudar rapidamente.

O problema não é querer melhorar. É transformar cada resultado em um julgamento sobre o nosso valor pessoal.

A voz com que você fala consigo importa

Muitas vezes somos muito mais exigentes conosco do que seríamos com qualquer outra pessoa.

Um erro pode se transformar em: “Eu sempre faço tudo errado.”

Uma dificuldade pode virar: “Eu não sou capaz.”

Uma experiência de rejeição pode se tornar: “Há algo errado comigo.”

A autoestima também é construída nesses momentos. Não consiste em dizer a nós mesmos que tudo está bem. Consiste em aprender a diferenciar:

“Fiz algo de que não gostei” e “Há algo errado comigo.”

Não são a mesma coisa.

Autoestima não significa gostar de si o tempo todo

Uma autoestima saudável não exige sentir-se confiante todos os dias.

Você pode reconhecer suas dificuldades sem desprezar a si mesmo. Pode aceitar uma crítica sem transformá-la em uma sentença sobre o seu valor. Pode desejar mudar algo em si sem acreditar que precisa se tornar outra pessoa para merecer respeito.

A autoestima se torna mais estável quando o nosso valor deixa de depender constantemente de aprovação, desempenho ou comparação.

Como começar a fortalecê-la?

Em vez de perguntar apenas “como posso me sentir melhor comigo?”, pode ser mais útil observar como você se relaciona consigo quando não se sente bem.

Você pode começar por:

Não se trata de pensar positivamente o tempo todo. Trata-se de aprender a olhar para si com mais honestidade e menos crueldade.

Como a terapia pode ajudar?

Na terapia podemos explorar de onde vêm certas crenças sobre você mesmo e como elas continuam influenciando seus relacionamentos, decisões e emoções.

Também podemos trabalhar padrões como autocrítica, perfeccionismo, comparação, medo de rejeição ou necessidade constante de aprovação.

O objetivo não é construir uma versão idealizada de você. É desenvolver uma relação consigo que consiga sustentar tanto aquilo de que você gosta quanto aquilo que ainda está aprendendo a aceitar ou mudar.

Talvez autoestima não seja sentir que você é suficiente

Talvez seja deixar de sentir que precisa provar constantemente que é.

Seu valor não aumenta quando você tem sucesso nem desaparece quando comete um erro. Aprender isso não significa deixar de crescer; significa poder crescer sem estar em guerra consigo mesmo.

Este conteúdo educativo não substitui uma avaliação psicológica ou médica individual. Se você tiver preocupações com sua saúde mental ou física, procure orientação de um profissional devidamente qualificado.